Business Partner o que faz, e para que serve?

Você sabe o que faz o Business Partner (BP)? A função, que se populariza cada vez mais entre os profissionais de Recursos Humanos no país, ainda gera dúvidas quanto às suas atribuições e quanto à colaboração que pode dar às empresas.

Ao menos em tese, o profissional atuaria como responsável pela interação entre as áreas de negócios, gestão de pessoas e RH. No entanto, como, muitas vezes, se desconhece as exatas tarefas do cargo, as organizações encontram dificuldades para concretizar esse objetivo.

Por isso, o conteúdo a seguir aborda os principais aspectos da função. Assim, você tirará todas as suas dúvidas e entenderá a importância desse profissional para as empresas de hoje. Não deixe de conferir!

O que faz um BP?

A função do Business Partner é motivo de controvérsia. O cargo foi criado nos anos 80, pelo guru de gestão David Ulrich, no livro Human Resource Champions. A premissa de Ulrich é que o profissional deveria promover o alinhamento entre as áreas de negócios da empresa e o setor de Recursos Humanos.

Ocorre que, como as organizações encontram dificuldades para desenhar adequadamente essas atribuições, em muitos casos, há sobreposição de tarefas. Isso é um problema, porque o papel não é assumir a chefia de RH, tampouco a gestão de pessoas.

Uma síntese adequada das funções do cargo seria a seguinte:

  • trabalhar como um consultor da alta gestão da empresa, municiando-a de informações para auxiliar na tomada de decisões;
  • atuar como um elo entre gestores e equipes de diferentes áreas, garantindo um clima favorável para o cumprimento da missão da organização e o alcance dos resultados desejados.

Pense no Business Partner como um maestro, que precisa coordenar as atividades dos diferentes músicos (profissionais de RH e gestão) para que se forme uma harmonia entre as ações e se atenda aos objetivos da orquestra (negócio).

 

A principal diferença é que o Business Partner tem foco no futuro e na estratégia, por isso ele ajuda a empresa a mudar. Ele tem visão integrada e sistêmica e uma ação no amanhã, um construtor da mudança.

O desafio que ainda tange ao trabalho de BP está na atuação da área de RH. Ainda temos um RH operacional e burocrático; com olhar e foco puramente administrativo; com ênfase no controle e visão de curto prazo; reativo e solucionador de problemas.

Por que contratar um Business Partner?

O Business Partner é o profissional que aprofundará a visão e a compreensão do negócio por parte do RH, tornando-o ainda mais estratégico para a organização. A falta dessa visão mais aprofundada do que é e como funciona o negócio pode limitar o RH. Em diversos casos, o setor se vê preso às atividades mais técnicas da área, dando uma contribuição aquém para os objetivos da empresa.

Nesse sentido, o Business Partner exerce o papel de aproximar as áreas de negócios e RH. O profissional auxilia na incorporação dos planos empresariais e na análise das demandas, como a necessidades de recrutar colaboradores, de qualificar os quadros profissionais, de melhorar a motivação etc.

Igualmente, o consultor interno será o encarregado de levar feedbacks para os gestores, que, com o retorno, poderão aprimorar o planejamento. Assim, ocorre a mediação das demandas das partes interessadas, evitando o surgimento de conflitos.

Sendo assim, a contratação representa um maior alinhamento entre os objetivos, metas, estratégias e ações gerais e setoriais. Não à toa, pode ser um diferencial para o crescimento da empresa.

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Qual a qualificação necessária para um Business Partner?

A formação do Business Partner não se vincula a uma única área do conhecimento. No dia a dia, administradores, psicólogos, analistas de RH e outros profissionais migram para essa função de consultoria interna. No entanto, é sempre importante que o candidato tenha experiência em atividades ligadas à Gestão de Pessoas e Recursos Humanos. Afinal, ele estará presente e exercerá influência sobre essas áreas de atuação.

Uma estratégia válida é realizar a migração com o auxílio de um curso de extensão, direcionado para o exercício da atividade. Isso aliará a experiência com uma base teórica sólida, além de suprir possíveis dificuldades nos assuntos de RH.

De todo modo, o mais importante é que o BP desenvolva certos atributos, independentemente do caminho trilhado. São eles:

  • entender com profundidade o negócio da empresa;
  • conhecer muito bem o funcionamento e os subsistemas de RH;
  • dominar as técnicas de treinamento e desenvolvimento;
  • saber lidar com indicadores e métricas, transformando-os em informações úteis para a tomada de decisões.

Por outro lado, é desejável que o profissional obtenha uma Certificação em Recrutamento e Seleção, diante da relevância dessa atividade para os resultados do RH.

Quais as habilidades que um BP deve ter?

A função de Business Partner é essencialmente generalista. As informações e habilidades desse profissional dizem respeito aos elementos comuns e aos pontos críticos das áreas de RH e Gestão de Pessoas, bem como ao entendimento da relação entre essas atividades.

Resumidamente, o conhecimento do todo é diferente da compreensão de cada uma das partes individualmente. Por exemplo, uma coisa é se aprofundar no domínio de técnicas de recrutamento, avaliação ou treinamento, enquanto outra é participar dos três processos e entender suas influências recíprocas.

Nesse sentido, o Business Partner precisa desenvolver um certo conjunto de habilidades gerais para atender às exigências da função. As principais são as seguintes:

Saber planejar

Uma habilidade essencial ao Business Partner é ser um bom planejador. Traçar planos que integrem o RH com as demais áreas de negócios da organização, gerando ganhos para todos, é um dos grandes diferenciais do profissional.

Ser um bom executor

Além de elaborar estratégias, esse profissional precisa ser um bom executor desses planos. Ele deve saber como tirá-los do papel, definindo as ações e as etapas necessárias para concretizá-las.

Lembre-se

O modelo de BP precisa de indicadores e métricas, medidas de desempenho. Métricas associadas aos vários domínios do conhecimento e em particular às soluções implantadas e aos resultados alcançados. Ornellas explica que avaliar o desempenho de um BP somente pelo impacto e reação da relação que este tem com seus clientes é um erro. Há que se considerar de forma ampla outros indicadores, se possível, relacionados ao resultado da organização.

Fonte, kenoby